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Número: |
381 |
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Data: |
TERÇA FEIRA 17 DE ABRIL DE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
“Vou-me matar. não posso viver assim”!
“Quando a minha vida está à disposição de um agente do poder, como posso eu considerar-me livre?” (Romaniales – DIREITO PUB).
Primeiro que o homem chegue ao estado de déspota, tem de lutar com as repugnâncias da consciência, e sufocar-lhe as vozes, que proclamam os direitos do indivíduo. O despotismo não tem direitos: - tem a força bruta; e mal daquele que não pode contrapor-lhe o ferro com o ferro, o cacete com o cacete, e o sentimento brutal com a degradação do raciocínio. Depois que o vislumbre de humanidade se apagou no coração, quebrados estão os vínculos sociais, e rotos os laços de parentesco com os outros homens: - a sensibilidade torna-se de ferro, o semblante de horror, e de afronta as vozes, o ar, as ideias, e o nome. Ninguém há que não sinta a aspereza do despotismo, ao riçar-se por esse cadáver despojado de moralidades, de impressões dolorosas, e de consciência do bem: - aí não há mais que vitupérios, calúnias, e um fragmento do mundo irracional, que nos ensina a conhecer as galas da razão.
Assim procedem e pretendem, “à viva força”, “manipular-nos”, quebrarem os laços que nos Une, os déspotas da Troika (FMI, U.E., Banco Mundial), que não só têm gerado um clima de terror e de desespero, como têm vindo a desrespeitar as Leis da Grécia e Portugal, através de uma clara e nítida “ingerência interna” e inaceitável, aos assuntos internos destes mesmos países. Pode ser déspota o mendigo, porque o é, o salteador; pode sê-lo o pastor entre os seus companheiros, porque o é, o irmão entre seus irmãos; mas os mandatários do poder – esses agentes capitalistas e exploradores, que só lhes interessa o lucro financeiro (doa a quem doer) – é três vezes terrível, infesto, e contagioso na sociedade. Porque, pouco lhes importa que a razão de um Homem nobre, sério e honrado, se confrange, se atormente, se envergonhe de mendigar; que as vozes do ofendido morram às portas destas excelências, como vagidos de crianças, que morrem de fome; ou dos idosos que sofram sem assistência médica e morram de solidão, esquecidos e enclausurados na miséria; ou que uma maioria dos nossos jovens, se encontra no desemprego. Nada! Absolutamente nada, lhes importa!
Eis as palavras daquele sexagenário - Sr. Dimitris Christoulas - (farmacêutico aposentado), antes de pôr termo à vida em frente ao Parlamento em Atenas na Grécia: “…Não encontro outro caminho para reagir, a não ser dar um fim definitivo, antes que eu tenha que começar a revirar o lixo para sobreviver e me torne um “fardo” para o meu filho”! Uma testemunha contou à televisão estatal, que ainda o ouviu gritar: “Não quero deixar dívidas aos meus filhos (…) sou reformado e...não posso viver nestas condições (…) por isso decidi pôr fim à vida”. Depois acusou ainda o governo de “aniquilar qualquer esperança de sobrevivência”!
Para esta “pandilha” de governantes, para esta “Corja” de “malfeitores”, porventura devemos culto, ou teremos que ter respeito a esses déspotas, só porque vimos um cacete ou um bastão, que nos pode espancar? Há casos que o requinte da desvergonha chega a tal ponto, que as considerações sobre os seus actos se turvam e confundem na inteligência de quem as medita!
Para ti meu Irmão Dimitris, vergo-me, respeitosamente, à tua coragem, à tua Dignidade e Honra de Homem, com “H” grande. Que descanses em Paz, no reino do Senhor!
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Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
380 |
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Data: |
SÁBADO 14 DE ABRIL DE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Para ti, mulher…essa minha homenagem!
Permita-me, com o devido respeito, que enderece esta carta a todas aquelas mulheres, que trabalham a tempo inteiro (de manhã à noite), no “expediente doméstico”, por dedicação, por amor, por vocação ou exclusão de partes, limpando a casa, confeccionando as refeições e, “engordando a família”. A essas mesmo, àquelas que os “machistas” chamam de “domésticas”! Essas “Mátrias de peito familiar”, firmes e pontuais, de sorriso enigmático, que vivem na cozinha à roda do tacho, que transportam o saco do lixo, que lavam as paredes e a casa de banho com lixívia, que penduram a roupa na corda por ordem decrescente, e que as recolhe...se vem chuva; que descascam as batatas, as cebolas e as ervilhas; que vão às compras e sabem multiplicar o parco rendimento, afim de fazer face a essa exploração desenfreada, omitida por estes “figurões nascidos e criados em berço d’ouro”! Sim! Uma homenagem de Agradecimento, honra e dignidade, a todas elas (Mães, Tias e Avós), que arejam os cobertores à janela, que sacodem os tapetes e arrumam as camas; que fazem o jantar, ou vão descongelar o frango ou a carne (se houver!), durante a telenovela. Exactamente: “a essas inimitáveis patroas portuguesas, crentes em Deus e nos seu homens, com devoção por Fátima” e simpatizantes do clube de futebol do marido; que “mendigam receituário nos centros de saúde; que andam a pé ou de autocarro ao hipermercado, à praça, ou à mercearia do vizinho, que por sinal tem sempre boa fruta e preços mais convidativos, nessas promoções. Sim! A essas “Mães coragem”, sem horário, sem férias, nem idade para se reformarem; que sabem as carreiras de cor, autocarros que passam em Santa Clara (Nº.6), o de São Martinho (Nº.14), o de Stº. António das Touregas, de Fala, Tovim e tantos outros; que é raro queixarem-se de dores nas costas e que sofrem de varizes, "espondilose", que sobem e descem vielas e calçadas, que se levantam às cinco e meia da manhã, para cozinhar a “jardineira”, para a marmita dos seus maridos, que vão trabalhar assustados, submissos, para não serem despedidos pelo patronato. Sim! A essas “Patriotas” esquecidas pelos sindicatos, deputados e desvanecidas pelos governantes, mas que, indiferentemente, apreciam quem souber mandar desde que tenham ar de doutor e que saibam discursar, ou lhes dê “dois chochos” na praça, e lhes ofereça um saco de plástico do partido, ou uma esferográfica, que serve lindamente para anotar os aumentos do peixe, da carne, da luz, da água e dos combustíveis. Essas mesmas! Essas Heroínas, “escravas da sociedade”, que passam a ferro as camisas, as calças, as peúgas e cuecas (aos sábados e domingos); que vivem iludidas, esperançadas e que, ao fim de 20, 30, 50 anos de casada, ficam com a alma a cheirar a óleo de girassol, a quem ela engana com papas e bolos e cuja morte antecipa vagarosamente em bacalhaus à lagareiro, frangos assados no forno, bifes de peru, açorda, que vai à missa ao domingo por respeito ao padre e aos seus vizinhos, em troca da renúncia de todos os seus sonhos, iniciativas, ideais. Que não frequenta discotecas, que é raro ir ao cabeleireiro, que traz as unhas por pintar, as mãos calejadas, desfiguradas, mas que sabe sorrir, amar, chorar de verdade! Sim, estas verdadeiras Mulheres, essas “moiras de trabalho", que vivem de esfregona na mão, mas a quem sobra sempre tempo para visitar a amiga que está de cama, hospitalizada, que trata do homem, da filha ou dos filhos, e netos! Essas Mulheres, verdadeiras “Bombeiras admiráveis das igrejas e dos doentes”, que albergam a mãe e o pai – velhotes – que não têm tempo para se adornarem, que fazem permanente uma vez por mês, que enfeitam as campas com flores de plástico, vivem “amordaçadas”, enclausuradas, sem títulos, sem medalhas, sem “engates”, sem carinhos e sem palavras de Agradecimento.
Para todas elas, o meu BEM HAJA! 
Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
379 |
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Data: |
QUARTA FEIRA, DIA 4 DE MARÇO 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Somos assim, infelizmente!
Francesco Alberoni, é Professor de Sociologia na Universidade de Milão, e é um famoso estudioso dos movimentos colectivos e dos sentimentos humanos. Um dos mais famosos intérpretes da sociologia moderna. Apoia-se numa inteligência profunda e numa necessidade insaciável de compreender (e explicar) os fundamentos do comportamento humano. Os seus livros, estão traduzidos em dezoito línguas. São lidos e estudados por milhões de pessoas em todo o mundo. São dele estas célebres palavras:
-“O mundo moderno dará os seus primeiros passos quando as pessoas abandonarem a ira teológica e as guerras religiosas. Quando deixarem de acreditar no Inferno e na condenação, quando deixarem de querer impor aos outros o seu credo. Quando (…) retirarem do cristianismo a mensagem moral essencial e nunca mais voltarem a querer ouvir falar de um Deus que se comporta como um patriarca encolerizado ou como um inquisidor medieval”. E acrescenta, alegando que o “mundo moderno despertará quando começar a crítica racional aos textos sagrados. Quando a inteligência tiver a coragem de distinguir (…) aquilo que é moral e aquilo que, pelo contrário, é imoral. De separar tudo o que é resíduo de épocas arcaicas e de barbárie…”
Mas…meus Senhores: a economia da natureza é competitiva, do princípio ao fim. Não existe uma ponta de caridade genuína para nos melhorar a visão…Arranhemos um “Altruísta” e observemos, rapidamente, um “hipócrita” revoltoso! Os seres humanos estão fortemente predispostos a responder com o ódio irracional a esta ou àquela ameaça, por mais pequena que seja. Tendemos a recear profundamente as acções dos desconhecidos e a resolver conflitos através da agressão. Somos assim, infelizmente! Egoístas, invejosos, fingidos, agiotas…e Autoritários. Temos a mania, de sermos sempre superiores aos outros. É raríssimo haver um lugar onde as pessoas não sejam classificadas, ou pela condição financeira, intelectual, aparência física, fama ou qualquer outro tipo de parâmetro. O homem facilmente vive a ditadura do preconceito. Isto é, faz, antecipadamente, um juízo de alguém. Aliás, é uma das mais drásticas e destrutivas doenças da humanidade: classificar (difamar) as pessoas, mesmo sem as conhecer. A discriminação já arrancou lágrimas, cultivou a injustiça, distorceu o direito, fomentou o genocídio e muitas outras formas de violação dos direitos humanos. Mas, para Jesus Cristo, ninguém é indigno e desclassificado por qualquer condição ou situação. Uma prostituta tem o mesmo valor que um moralista; uma pessoa iletrada (sem qualquer tipo de cultura), tem o mesmo valor que um intelectual, ou um versado escritor. Uma pessoa excluída, tem o mesmo valor que um soberano. Cristo era de tal maneira contra a discriminação que fazia, que os moralistas da sua época, tinham medo Dele e das suas palavras. Teve a coragem de dizer aos fariseus “que os corruptos colectores de impostos e as meretrizes os precederiam no seu reino”. Como é possível que os corruptos e as prostitutas precedessem os fariseus tão famosos e moralistas? É que na época os colectores de impostos eram odiados e as prostitutas eram apedrejadas. Todavia, o plano transcendental de Cristo arrebata a psicologia humanista. Nele todos se tornam indistintamente seres humanos. Nele, somos todos iguais!

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
378 |
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Data: |
SÁBADO, DIA 31 DE MARÇO 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Os nossos Cientistas de Coimbra!
Tantas vezes, muitas vezes, o Diário de Coimbra denuncia, anuncia, estes Heróis, estes Homens e Mulheres que lutam, arduamente para salvarem a Terra. Que trabalham, penosamente e sacrificadamente, para nos salvarem das graves e mortais enfermidades e epidemias, que têm vindo a dizimar milhares de pessoas, incluindo as nossas crianças. Uma verdadeira inovação, um rejuvenescer no campo das Ciências, desenvolvida, nestes últimos anos, por estas centenas de Jovens Investigadores, saídos desta nossa e célebre Universidade de Coimbra (UC), onde têm vindo a conquistar vários prémios nacionais e internacionais, desde a “Neurociência” à “Biodiversidade”, passando pela Medicina ou por estas e sofisticadas Tecnologias computorizadas. Uma Honra para todos nós Portugueses!
Notícias vindas a público: -“Investigadores de Coimbra criam protótipo de diagnóstico da diabetes” - um “Fluxómetro a laser” - para fazer o diagnóstico da diabetes. Ganharam o prémio “Best Student Paper Award” na Conferência Internacional Bioinformática 2012, de Vilamoura, Algarve. Uma fantástica invenção, desenvolvida por Edite Figueiras no “Centro de Instrumentação da UC”, que serve para medir nos vasos sanguíneos mais pequenos (os mais difíceis de medir) e fornecer, posteriormente, informação resultante da interacção com os glóbulos vermelhos; -“José Xavier, é Biólogo e vencedor do “Nobel da Ciência Polar 2011”. Reparem: há Cientistas em países que fazem Investigação nesse Campo, há mais de 200 anos, na Antártida e Portugal começou acerca de 7 anos, e já recebeu um prémio desta dimensão. É realmente um enorme privilégio. -“Investigadores de Coimbra, estudam administração oral de Insulina. Uma outra tecnologia farmacêutica desenvolvida por uma Equipa Internacional de Investigadores, Coordenada pelos Portugueses António Ribeiro e Francisco Veiga, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (UC). -“Investigadores de Coimbra avaliam, pela primeira vez, a contaminação por dioxinas da fauna e flora marinha costeira”. -“Academia de Ciências Russa, distingue Cientista da UC”., o Professor Victor Lobo, Catedrático do Departamento da Química da “Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra” (FCTUC), distinguido com a “Medalha Professor Nicolai M. Emanuel”. -“Investigadores da UC desenvolvem Tecnologia para ajudar na Terapêutica de Crianças com Autismo”. -“Especialistas Mundiais em Espectroscopia reuniram-se em Coimbra” para a Conferência Europeia de Espectroscopia em Moléculas Biológicas”. Trata-se de um conjunto de Técnicas Experimentais que permitem (interpretando as interacções entre a radiação electromagnética e a matéria), sondar e ajudar a compreender os seus mais escondidos segredos. E tantos, tantos outros! É isto meus Senhores, que nos tornam capazes de sobreviver a todas estas quezílias burocráticas e políticas, a estas “esquizofrenias doentias” de perseguições, de acusações. É graças a estes Homens e Mulheres, a estes Cientistas, que vislumbramos a Esperança, e que são tão importantes sobre a mobilização moral para fazer evoluir a humanidade numa direcção de maior generosidade, amabilidade, serenidade, moderação, isto é, para as virtudes da convivência e do amor. São precisamente estas invenções, estas descobertas genéticas que nos dão a possibilidade de redimir o homem da culpa originária da violência que caracterizou a primeira fase da sua evolução. Bem Hajam!

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
377 |
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Data: |
QUARTA FEIRA, DIA 28 DE MARÇO 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Roubos,droga, violência, aumentam!
São preocupantes os aumentos da criminalidade, nomeadamente os assaltos à mão armada a residências, a pessoas idosos, a empresas de segurança, bem como ao acrescentamento de burla (conto do vigário), e ao cada vez maior número de traficantes, e consumidores de drogas. É inquietante o recurso mais frequente a meios violentos, como não se pode negar o crescente sentimento de insegurança dos cidadãos. Quase toda a gente concorda com tal afirmação, porque, infelizmente, é uma evidência quotidiana, mesmo se nem sempre há indicadores seguros. E por outro lado, sempre imaginamos um Estado justo, composto por uma Justiça igual para todos, consolidada em valores humanistas, sem “esquerdismos” nem “direitismos”, norteada por políticos sociais eficazes, de que resultassem a protecção efectiva do direito à vida e à dignidade dos cidadãos. Mas nem por isso! Temos, como há quem sustente, duas Justiças. Uma para os ricos e outra para os pobres. Ou seja, uma Justiça para poderosos e outra, para os não poderosos. Será isso? Uma coisa é certa, quem conseguir contratar bons advogados pega num processo – e hoje então com o novo Código do Processo Penal - e pode dar cabo dele. Aliás, há processos que se “eternizaram” no tempo, graças à excelência dos advogados que lhes pegaram e que são responsáveis pela sua eternização. Os advogados não estão fora desta responsabilidade; não se pode dizer que a culpa é da Polícia, a culpa é do Ministério Público…Todos os actores judiciários têm culpas nesta matéria, nenhum deles pode dizer: “daqui lavo as minhas mãos”.
Portanto, a Justiça dos ricos é uma Justiça de advogados ricos, de advogados exigentes, de advogados de muita qualidade e que, por isso mesmo, têm dinheiro, porque são os melhores. Depois, há uma Justiça dos pelintras, daqueles que têm um defensor oficioso, um defensor escalado pelo tribunal que se levanta no fim de um processo de homicídio e pede justiça, mas antes não foi capaz de elevar a voz para encontrar uma justificação para este ou aquele caso.
“Mais polícia nas ruas”, parece também ter sido apenas um slogan. A asa protectora das chamadas “super esquadras”…não se fizeram sentir, bem como a alegada rapidez de resposta das polícias, que é posta em causa todos os dias, onde a sua actuação mostra nervosismo. É que o modo como o poder político cobre sistematicamente as condenáveis acções da polícia, sem exibir o mais leve espírito incentivo, tem vindo a contribuir, não só para a insegurança, como descredibiliza as Forças de Segurança.
Entretanto, a voz do povo na rua, em cafés e restaurantes, estabelece: se as penas fossem mais severas, haveria menos criminalidade. Mas também não falta, quem defenda…“a pena de morte”, ou até esse paradigma da selvajaria, que é a…“Justiça Popular”!
Em que ficamos?

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
376 |
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Data: |
SÁBADO, DIA 24 DE MARÇOE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
A nossa saúde mental e o desemprego!
A Humanidade vive um momento de viragem histórica. No entanto, a gestão do poder, continua a ser sempre um jogo: “o jogo do poder”! Devemos encarar com algum espírito de mágoa e de reflexão, o facto de alguns “poderosos”, sem escrúpulos, irresponsáveis, “brincarem” com a vida de milhares de pessoas? Não é por acaso, que muitos políticos gostam tanto de pensar nos outros, como peões no seu xadrez pessoal e na economia como um conjunto de jogadas financeiras. É certo que vivemos num mundo de transformações, mas, por amor de Deus, qualquer pessoa já viu, não é preciso ser génio nenhum, para verificar que estamos a ser “empurrados”, há muitos anos, para uma ordem global complicada e “recheada” de burocracia, com a sua displicência e inépcia, embelezada por um mecanismo oleado de “faz-de-contas” e camuflado de injustiças, que tem vindo, inexoravelmente, triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando as doenças mentais. Aliás, ficamos a saber, através do primeiro “estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental”, que Portugal é o país da Europa com a maior previdência de doenças mentais na população. E o caso não é para menos. Dizia o distinto médico psiquiatra Pedro Afonso, no seu artigo publicado no Jornal O Público: “…Interessa-me a saúde mental dos portugueses, porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos”. E acrescentou consternado, o dr. Pedro Afonso: “...Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos, envergonhados e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social…”!
De facto, é na realidade difícil, aceitar que alguém sobreviva, dignamente, com pouco mais de 500 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da “pilhagem” do erário público. Olhamos assombrados e com complacência, os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios, quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
375 |
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Data: |
QUARTA FEIRA, DIA 21 DE MARÇOE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Oiçam…se fazem o favor!
Criou-se uma moda de pensamento fácil e emotivo que se resume em poucas palavras. Há gente que sofre no mundo? Há gente que morre de fome? A Cruz Vermelha, ou a União Europeia devem mandar alimentos e dinheiro. Há guerras entre povos, etnias, nacionalidades, religiões ou pequenos estados? A União Europeia, a NATO e os Estados Unidos mandam tropas, metem aquela gente na ordem, salvam inocentes, evitam chacinas e estabelecem a paz. O que vem a seguir, ninguém sabe muito bem. Quem organiza os estados e os povos, depois da intervenção ou das ajudas, é um problema de menos importância. Até porque essas guerras e conflitos, geralmente, nunca acabam. Há sempre uma nova intervenção num outro país qualquer. O que é preciso é salvar gente, não se sabe se os povos, se os “clientes”, se a boa consciência dos ocidentais.
Portugal, também participou, por diversas vezes, com a chamada “Força Multinacional”, alegando alguns políticos, na altura, que “concordavam com essas mesmas missões”, que eram de “interesse nacional”. Mas isso, pertence ao passado! O verdadeiro problema é geral. Por esse mundo fora, um número considerável de Governos, partidos e máfias, percebeu já que as intervenções humanitárias, com apoio multinacional e bênção das grandes organizações (ONU, NATO, FMI, BANCO MUNDIAL E UE), são um excelente negócio. Quase tão bom quanto a ajuda económica. Os beneficiários de umas e de outra perceberam que, a fim de receber presentes do Céu, necessitam de dar alguns passos indispensáveis. Em particular, precisam de liquidar uns milhares de pessoas, não interessa se são crianças, mulheres, deficientes ou velhos; interessa é provocar êxodos de massas esfomeadas, destruir os circuitos de distribuição alimentar, decepar cabeças, cortejar corpos à catanada, criar, enfim, o terror, ameaças de genocídio. Se tudo isto for cumprido, as intervenções humanitárias e a ajuda económica não faltam. Pior ainda: com o hábito, as “consciências universais” ficam mais empedernidas. A consequência é evidente: aumentam-se as liquidações, a destruição e as ameaças. E espalha-se o medo, o terror, a concorrência. Aumentam-se o número de desempregados, os impostos, cortam-se os subsídios, encerram-se hospitais, juntas de freguesia, etc., etc. É assim que funciona o mercado. Como se pode ver nos noticiários: mal um bandido, um facínora desencadeia as suas acções, logo as televisões reclamam uma intervenção e o próprio a defende. Paralelamente, mal um ex-terrorista, agora vítima, é objecto de ataque, logo os seus porta-vozes garantem que são necessárias forças multinacionais e ajudas económicas. Que consideram ser um “dever dos ricos”.
Mais palavras para quê? Para bom entendedor…!

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
374 |
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Data: |
SÁBADO, DIA 17 DE MARÇOE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Que falta de vergonha!
Genericamente todos pensamos que o que há de mal não depende de nós! Ora um dos sinais do nosso tempo é que os principais responsáveis pelas decisões e pela administração de um país pensam o mesmo. Consideram que a sua actuação praticamente não influencia negativamente os destinos do país que governam. Esta ideia ganha foros de princípio universal e deve ser por isso mesmo que a Lei não prescreve sanções para estes tipos de actuações debilitadas. A chamada às urnas branqueia tudo! Tudo faz esquecer! Nada mais tosco e fraudulento à luz da razão e da consciência cívica! Como a democracia tem estado a esvaziar-se, esta só pode ser uma democracia fenomenal!
Ao procurar identificar o elemento que mais falta a Portugal agora, múltiplos especialistas consideraram vários factores: Investimento, aumentos de produtividade, infra-estruturas, educação, competência profissional, liderança política, identidade nacional, estiveram na lista de candidatos a factor decisivo do nosso momento presente. Mas, depois de longos estudos e consideração ponderada, foi decidido que aquilo de que Portugal mais necessita, neste momento, é…Vergonha! Como é do conhecimento de todos, a nossa Sociedade, nomeadamente a nossa economia e política, estão a passar por um momento de intensa pouca-vergonha. O desplante, a desfaçatez, o descaramento de nos “cortarem” os subsídios de férias e de Natal e a petulância, estão a atingir níveis incríveis. Ora tratando-se de um elemento básico da vida e natureza humanas, a falta de vergonha tem gravíssimas consequências em todos os níveis nacionais. A vergonha é o tributo que a maldade presta ao bem. Na ausência da vergonha, o erro e a malícia campeiam desordenados. Mas o pior, é o clima moral que se vive. Em Portugal, neste momento, as pessoas têm vergonha de terem vergonha. A atitude considerada normal é a de não se espantar com nada, para não parecer antiquado, retrógrado e conservador. O clima de facilidade ingénua e de deslumbramento saloio é o que domina a atitude nacional. Os portugueses abriram-se com fervor às maravilhas da vida abastada. Naturalmente, nos momentos iniciais, tudo parece fácil, acessível e aceitável. Pode parecer ridículo, mas os portugueses estão convencidos que, por pertencerem à União Europeia, vivem num país moderno e desenvolvido, e que lhes é permitido, sem consequências, cair na promiscuidade, nos excessos de consumo (a que estavam habituados) e no capricho governativo, esquecendo os princípios familiares, a prudência económica, as regras orçamentais e a dignidade humana. Já para não falar da Honra. Em breve, o País acordará do seu delírio, que já dura há uns largos anos, e que está a atingir níveis de paroxismo. Nesta altura, notará a falta que a vergonha faz.

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
373 |
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Data: |
TERÇA FEIRA, DIA 13 DE MARÇOE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
AS “SCUT's” SÃO, UMA AUTÊNTICA PILHAGEM !
Meu pobre país de sol, é nesta altura que mostras a tua fragilidade. A tua serenidade, o teu “deixa andar”, a tua moleza. É possível que tenhas (ou tivestes) um povo forte, que tudo aguenta, como os pobres e os animais abandonados. Mas, sinceramente, estás fragilizado. Estás a deixar-te levar, por uma “cambada” de gente sem escrúpulos, sem sentimentos, que olham para ti, sem sequer perguntar, como é que estão os teus “velhinhos”, as tuas crianças deficientes, os teus pobres sem-abrigo, como está a tua Educação, a tua Justiça e Saúde. Pois é! Vives melancólico. De ombros caídos, encolhido, amedrontado, a fugir às multas, à insegurança, e a preparar a mala de cartão para a emigrares, porque não tens emprego.
Que país é este? O que te estão a fazer, meu país de sol? Que é feito do teu calor humano e da tua luz? Mas será, que só pretendem os teus lucros financeiros? Que só vislumbram, apenas e só, as tuas dívidas à Troika e à CEE.? Mas…não vês, que a modernidade superficial não substitui a pobreza estrutural e que só a agrava? Aumentam-te, quase diariamente, os combustíveis e os nossos impostos; “cortam-te” os subsídios de férias e de Natal; a Saúde está doente e a caminhar para a privada, tendo acesso a ela, a muito breve trecho, apenas os ricos. A Justiça, embora empenhada na resolução dos casos que lhe são submetidos, revela-se impotente pela falta de meios colocados ao seu dispor; a Educação e os seus Professores, a ser mal dirigida e a serem espezinhados, respectivamente, e por fim, esta “pilhagem” desavergonhada, repelente, cometida aos olhos de todos e processada pelas dezenas de portagens “Scuts”, com conhecimento e autorização dos governantes, deste país mal amado. Se considerarmos que a maioria das auto-estradas dos países europeus não têm portagens, acho absurdo essas cobranças, pelas seguintes razões: as estradas seguras são um “Bem Público”, porque quanto mais seguras, menos acidentes se registam (mortes, feridos, deficientes). Consequentemente, cumpre ao Estado providenciar este bem essencial de segurança. Por outro lado, as estradas e auto-estradas, não existem para dar lucro, existem para prestar serviço à população; para facilitar a Mobilidade de pessoas e bens e para desenvolver o Turismo. Portanto, não deve caber à iniciativa privada a sua exploração. Os impostos sobre os automóveis, os impostos sobre os combustíveis (mais caros do mundo), servem para pagar a construção e manutenção desses bens públicos seguros. Assim manda a boa gestão dos dinheiros provenientes dos nossos impostos. Por essa razão, é inadmissível, que haja “parcerias públicas privadas, em que os privados têm lucros provenientes de um “Bem Público” e o Estado arca com os prejuízos.
Mas…que descarada roubalheira, às nossas carteiras!

Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
Crónica de Coimbra
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Número: |
372 |
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Data: |
SEGUNDA FEIRA, DIA 12 DE MARÇOE 2012 |
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Título: |
CRÓNICA DE COIMBRA |
Roubos,droga,violência, aumentam!
São preocupantes os aumentos da criminalidade, nomeadamente os assaltos à mão armada a residências, a pessoas idosos, a empresas de segurança, bem como ao acrescentamento de burla (conto do vigário), e ao cada vez maior número de traficantes, e consumidores de drogas. É inquietante o recurso mais frequente a meios violentos, como não se pode negar o crescente sentimento de insegurança dos cidadãos. Quase toda a gente concorda com tal afirmação, porque, infelizmente, é uma evidência quotidiana, mesmo se nem sempre há indicadores seguros. E por outro lado, sempre imaginamos um Estado justo, composto por uma Justiça igual para todos, consolidada em valores humanistas, sem “esquerdismos” nem “direitismos”, norteada por políticos sociais eficazes, de que resultassem a protecção efectiva do direito à vida e à dignidade dos cidadãos. Mas nem por isso! Temos, como há quem sustente, duas Justiças. Uma para os ricos e outra para os pobres. Ou seja, uma Justiça para poderosos e outra, para os não poderosos. Será isso? Uma coisa é certa, quem conseguir contratar bons advogados pega num processo – e hoje então com o novo Código do Processo Penal - e pode dar cabo dele. Aliás, há processos que se “eternizaram” no tempo, graças à excelência dos advogados que lhes pegaram e que são responsáveis pela sua eternização. Os advogados não estão fora desta responsabilidade; não se pode dizer que a culpa é da Polícia, a culpa é do Ministério Público…Todos os actores judiciários têm culpas nesta matéria, nenhum deles pode dizer: “daqui lavo as minhas mãos”.
Portanto, a Justiça dos ricos é uma Justiça de advogados ricos, de advogados exigentes, de advogados de muita qualidade e que, por isso mesmo, têm dinheiro, porque são os melhores. Depois, há uma Justiça dos pelintras, daqueles que têm um defensor oficioso, um defensor escalado pelo tribunal que se levanta no fim de um processo de homicídio e pede justiça, mas antes não foi capaz de elevar a voz para encontrar uma justificação para este ou aquele caso.
“Mais polícia nas ruas”, parece também ter sido apenas um slogan. A asa protectora das chamadas “super esquadras”…não se fizeram sentir, bem como a alegada rapidez de resposta das polícias, que é posta em causa todos os dias, onde a sua actuação mostra nervosismo. É que o modo como o poder político cobre sistematicamente as condenáveis acções da polícia, sem exibir o mais leve espírito incentivo, tem vindo a contribuir, não só para a insegurança, como descredibiliza as Forças de Segurança.
Entretanto, a voz do povo na rua, em cafés e restaurantes, estabelece: se as penas fossem mais severas, haveria menos criminalidade. Mas também não falta, quem defenda…“a pena de morte”, ou até esse paradigma da selvajaria, que é a…“Justiça Popular”!
Em que ficamos? 
Cruz dos Santos (Ninito)
Stª. Clara, COIMBRA
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