"A cidade medieval de Trancoso, situada na Beira Alta, orgulha-se de ser
a terra natal, provavelmente, do maior progenitor português que,
curiosamente, era o prior da localidade, no século XV. Ao todo, o padre
Francisco Costa deu origem a 299 filhos concebidos em 53 mulheres – 215 do
sexo feminino e 85 do masculino.
Esta capacidade reprodutora, assente numa libertinagem sem fim, chegou a
ser condenada pelo tribunal da época. Não obstante, a “proeza” ainda hoje é
comentada e glosada pelos habitantes da cidade. A pena aplicada passava pelo
seu arrastamento pelas ruas públicas, nos rabos dos cavalos. Posteriormente,
o seu corpo deveria ser esquartejado e posto aos quartos, sendo que a cabeça
e as mãos seriam depositadas em diferentes distritos.
Segundo o investigador Manuel Costa, a cópia da sentença, proferida em
1487, repousa, actualmente, na tranquilidade de um dos armários e maços do
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.
O padre Francisco Costa chegou a confessar que manteve relações sexuais
com 29 afilhadas, de quem teve 97 filhas e 37 filhos. A essas adicionam-se
aventuras com cinco irmãs, de onde brotaram mais 18 filhas.
E a lista não pára de crescer. Ao já avultado número, somam-se nove
comadres, com um resultado de 38 filhos e 18 filhas; sete amas que, do
padre, tiveram 29 filhos e cinco filhas; duas escravas que deram à luz 28
crianças; ainda gozou do leito de uma tia, Ana da Cunha, que lhe deu três
filhas, e, com a própria mãe concebeu dois rebentos.
Porém, considerando que, na época, a região do interior do país tinha
poucos habitantes, o rei D. João II entendeu perdoar-lhe a pena e ordenou
que fosse enviado para casa no dia 1 de Março desse mesmo ano. O fundamento
da decisão da coroa real assentou no facto de o “padre Francisco Costa ter
contribuído para o povoamento da Beira Alta”.
Hoje, grande parte dos habitantes da região goza do apelido “Costa”. O
facto não perdoa brincadeiras: “Não serás descendente do Padre Francisco
Costa?” – perguntam alguns.
Almeida Cardoso"

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Mano Belmonte
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Dizem que a profissão mais antiga do mundo foi a prostituição. Não posso concordar. Até porque não havia dinheiro quando o mundo começou, e se para o homem bastava dar com uma moca na cabeça da mulher e arrastá-la para a sua caverna, porque carga de água haveria de pagar?
Dizem então que a primeira profissão deve ter sido um dos trabalhos mais básicos, como agricultura ou caça. Embora concorde que tenham sido das primeiras profissões, a primeira não foram, até porque no início não havia ferramentas para agricultura nem armas para caçar.
Sugerem então que tenha sido o ensino. Mas para ensinar é preciso aprender. É a história de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Neste caso, o estudante ou o professor. Ninguém nasce ensinado, logo teria de estudar primeiro. Mas no início não acredito que o homem tenha partido para esta actividade assim de arranque.
Temos de nos colocar na pele desse primeiro homem para perceber.
Então, o homem aparece. Um homem, Adão, sozinho, sem saber o que fazer. Qual a sua primeira iniciativa?
Obviamente, coça os tomates. Assim sendo, a primeira profissão do mundo foi claramente ser chefe.
Mano Belmonte
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