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QUEM ERA LUCIANA MACHADO

SEXTA FEIRA 15 DE MARÇO DE 2019  

Por Avelino Teixeira

Nasceu a 9 de Março de 1942 em Ponta Garça, Concelho de Vila Franca do Campo, S. Miguel, Açores, filha de José dos Santos Nero natural de Vila Franca do Campo, e de Maria da Conceição Medeiros Santos de Ponta Garça.

Desde criança cantava em casa e para os amigos. A pedido destes, com apenas 14 anos, canta pela primeira vez Sangue Toureiro, nas festas do Espírito Santo, em Almagreira, Ilha de Santa Maria, Açores.

Viveu dez anos na Ilha Terceira onde nasceram os seus filhos e de onde em 1969 imigrou com a família para o Canada. Neste país, por volta de 1978 canta pela primeira vez no Sport Clube Angrense de Toronto, num dos espetáculos que ali se realizavam chamados Festas Do Amador. Canta a versão portuguesa da canção O Fernando, acompanhada pelo já inexistente conjunto musical Boa Esperança.

Mais tarde, numa daquelas noites, acompanhada por António Amaro e Tony Melo, canta Disse-te Adeus e Morri, e Amor Vinho Doce cantigas do reportório da saudosa Amália Rodrigues, seu ídolo preferido. A partir desse dia, começam então a surgir contratos graças à sua potente, agradável voz de um trinado inigualável, ao seu apego à Canção Nacional, e à sua personalidade carismática. Sucedem-se então atuações nos clubes e associações acompanhada por quase todos os conjuntos musicais da época, bem como nos restaurantes portugueses dispersos por toda a Cidade de Toronto, e não só, acompanhada por vários guitarristas de então da Comunidade Portuguesa.

Em 1981 participou no concurso Pombos Correios em Vila Nova de Gaia e faz simultaneamente digressões pelo Porto, Espinho, Póvoa do Varzim, Guimarães e Leiria. Passa em Lisboa e canta o Fado no Pátio da Mariquinhas.

Foi convidada em 1993 para atuar no Salão da Graça em S. Miguel, nas festas carnavalescas acompanhada pelo conjunto de Victor Cruz com Teófilo Frazão ao piano. No mesmo ano, convidada por José Pracana, tomou parte numa gravação para a R.T.P.I., denominada “Silêncio porque se canta o Fado” realizada ao vivo no Solar da Graça. Nessa altura canta ao lado do saudoso Manuel Almeida e Ermínio Arruda com acompanhamento de José Pracana, Alfredo Câmara, Fontes Rocha e seu Viola. Teve também o previlégio de ser acompanhada pelo saudoso Custódio Carrusca excelente músico e compositor que viveu muitos anos em Toronto.

Entre 1993 e 2000, juntou-se ao conjunto musical de seus filhos, “Vinho Branco”, com o Ricardo Machado à Guitarra Eléctrica, Rui Machado no Baixo, na Bateria Elétrica Vince Espositto e nos teclados Sam Farruggio. Juntos atuaram em vários clubes portugueses, casamentos, clubes e associações portuguesas.

Tempos depois Luciana Machado forma o seu próprio conjunto musical, mas apenas com o Ricardo Machado e Jorge de Freitas os quais se fazem acompanhar por uma bateria eletrónica.
Para além dos seus dois filhos que a acompanharam nas suas lides artísticas, ela teve uma filha que dá pelo nome de Elizabeth Machado Skrepnek a qual possui também bonita voz mas nunca se decidiu enveredar pelas cantigas não obstante a persistência de sua mãe. Disse.

Ela voltou a S. Miguel em 1997 para cantar em Vila Franca do Campo, nas festas de S. João, acompanhada pelo conjunto local, Heróis da Terra.

Em 2001 atuou em Montreal numa homenagem póstuma a Amália Rodrigues, realizada no Teatro Plateau, atuando ao lado de Linda de Sousa constituindo uma agradável experiência na sua carreira, tal como a foi a homenagem, também póstuma, a Amália Rodrigues realizada no antigo edifício do First Portuguese Canadian Club organizada por Alberto Silva, dinâmico locutor que então trabalhava na estação de rádio Asas do Atlântico.

2004 é tempo para voltar a S. Miguel para cantar em Ponta Garça, freguesia que a viu nascer e onde residiu até aos seis anos de idade. Alí faz-se acompanhar novamente pelo conjunto musical Heróis da Terra constituído por José Neto, António Neto, Carlos Neto, Walter Neto, Fernando e Armando Sampaio. Acompanhada pelo mesmo conjunto, canta também na festa do emigrante em Vila Franca do Campo.

Surge 2013 e Luciana vai cantar no Winnipeg acompanhada por António Amaro, Leonardo Medeiros e Hernani Rapouso. No mesmo ano atua também em Edmonton acompanhada pelos mesmos músicos. Foi maravilhosamente recebida em ambas as localidades.

Mas antes da sua bem sucedia carreira, em 1980 ela inicia as suas gravações em 45 rotações por minuto: Gravou no stúdio Cherry Beach acompanhada por António Amaro e Tony Melo, um trabalho discográfico genericamente intitulado Escreveram meu nome na lama com letra de José Pereira.

No estúdio do saudoso Pedro Alegre, em 1986, gravou outro disco intitulado Mudei-me para outra cidade subintitulado Minha terra ilha verde, do próprio Pedro Alegre, acompanhada pelo conjunto musical Os Lords.

Em 2002 gravou com a nova tecnologia um CD denominado Clásicos do Fado no estúdio Randy Araujo, acompanhada por Manuel Moscatel, Januário Araujo e Nelson Câmara. Ainda naquele ano grava um single com a bonita canção Valsa dos Amantes da autoria de Jorge Fernandes. Por mera coincidência, quando participava numa Semana Cultural Alentejana em Toronto, abrindo o espetáculo para Jorge Fernandes, este apercebendo-se que ela havia gravado a Valsa dos Amantes convida-a para cantar a referida canção com ele constituindo assim mais uma inolvidável surpresa para Luciana Machado.

Mas as gravações não pararam e em 2003 grava no Midi Tech Studio, de Hernani Rapouso, outro CD intitulado A voz e o Fado novamente acompanhda pelo saudoso António Amaro, Tony Melo e Hernani Rapouso. Em 2008 grava o seu último trabalho discográfico no Midi-Tech Studio intitulado Luciana Sempre. Uma coletânea de muitos trechos anteriormente gravados em Vinil.

Luciano Machado participou no projeto Amor De Artista da Venus Creations, propriedade de Joe Furtado, três nos consecutivos : Em 2000 com Uma Alma Já Cansada letra de José Pereira, 2002 com Fado Amália, e 2003 com Valsa dos Amantes de Jorge Fernandes. Esta última gravada no Midi Digital Studio de Nelson Câmara. Naquela altura confessou-me, com uma lágrima a derramar-lhe pelo rosto, que tinha sido uma agradável experiência a sua participação no referido projeto por lhe ter dado o ensejo de conviver com os colegas algo que não acontecia com muita frequência e que ela adorava! Hoje, passados tantos anos, recordando as suas palavras sinto saudade dos nossos convívios, das noites de cantigas em que ambos participámos, do carinho e respeito que ela nutria por mim, da sua amável companhia e da sua presença imponente no palco. Era uma açoriana completa.

Infelizmente há mais de seis anos foi diagnosticada com “Demência” tendo piorado muito rapidamente e por tal razão nunca mais ter sido vista em público. Ela era madrinha do inexistente Sport Clube Angrense de Toronto. Infelizmente deixou-nos no passado dia 7. Paz à sua alma!

Aqui fica uma recordação: Noite fadista no Restaurante Ventura em Hamilton.

 

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