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OIPINIÃO

SEXTA FEIRA 08 DE FEVEREIRO DE 2018  

Um feminicídio nunca vem só

Catarina Carvalho

Há sempre uma reviravolta trágica num percurso que se acreditava de resistência. E há também uma história de poder. Ou da falta dele. Ou da transferência dele, que muitos ainda não aceitam. E matam.

O feminicídio é uma palavra horrível. Soa mal e significa pior. Mas tem uma vantagem: especifica quem foi a vítima do crime quando é importante saber quem foi a vítima do crime. Uma mulher. Não é facto anódino. Uma mulher morta, às mãos de um homem, é muito, antes e depois de ser o fim anunciado de uma história inevitavelmente triste. É muito, antes e depois de ser um drama pessoal e familiar.

É, certamente, o culminar de um percurso, porque um feminicídio não chega de supetão. Mas há mais neste crime: os ataques têm normalmente um só sentido, diretamente proporcional ao poder, na relação. Quem tem esse poder, exerce-o - e, do ponto de vista mais básico, o físico, ao ponto de vista mais cultural, o social, tem boas razões para achar que tem. Por isso o feminicídio não é só a morte de uma mulher. É também a morte do feminismo, a morte da igualdade de género, a noção de que ainda há tanto por fazer neste âmbito. Que é, no fundo, o âmbito dos direitos humanos.

 

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