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POR TERRAS DA CALIFÓRNIA

QUARTA FEIRA 31 DE OUTUBRO DE 2018  

JACK PEREIRA – UM PORTUGUÊS NA INDÚSTRIA DOS VINHOS

Por Liduíno Borba

Na minha deslocação à Califórnia, entre 6 de setembro e 7 de outubro, tive o privilégio de ser convidado, pelo amigo Elmano Costa, a visitar, no dia 20, uma adega em Lodi, Vale de San Joaquim, que tem na sua secção de distribuição o português Joaquim Pereira. Foi nosso companheiro de viagem João Fontes, há vários anos radicado nos Estados Unidos da América.

Joaquim Pereira, na Califórnia chamado por Jack Pereira, nasceu em 1951, na cidade de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, quando os pais tratavam dos papéis consulares para emigrarem para os Estados Unidos da América. A família é oriunda da freguesia dos Altares, concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira. Os pais planeavam o nascimento do filho para a América mas o inesperado aconteceu. Foi motivo de uma reportagem à chegada ao destino pelo jornal “San Francisco Examiner”

Jack Pereira, por terras do Tio Sam, fez e concluiu os seus estudos. Trabalhou em várias empresas, chegando a lugares cimeiros. Já se deslocou a vários países para dar formação profissional e organizacional no ramo industrial. Presentemente é Vice-presidente para a distribuição na empresa Trinchero Family Estates, na cidade de Lodi, Vale de San Joaquim, Califórnia. É o principal responsável pela recente introdução de um sistema robotizado na empresa. A adega original foi constituída em Napa Valley, na cidade de Santa Helena, Califórnia, em 1874 por um emigrante Suíço. Fechou depois da primeira Guerra Mundial, com a proibição de bebidas alcoólicas, reabrindo em 1946 quando foi comprada pela família Trinchero de Nova Iorque, emigrantes italianos.
Em 1975 era uma pequena empresa mas os seus proprietários desenvolveram o vinho rosé, chamado Zindandel Branco, que lançou a empresa no mercado mundial de vinhos.
A companhia tem hoje instalações ligadas ao vinho: cinco em Napa Valley; uma nas montanhas de Sierra Nevada; outra na costa central da Califórnia; e, a maior em Lodi. As áreas de terreno de vinhas nestas localidades totalizam 10.000 acres (mais de 40.000 alqueires em Portugal), que produzem 35% das suas necessidades em uvas. A empresa Trinchero emprega 1.400 trabalhadores nas diversas localidades onde exerce a actividade. Tem parcerias comerciais com adegas de Itália, Espanha, França, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Chile, de onde provem vinhos engarrafados para o mercado interno. As vendas são efetuadas para toda a América e cerca de 70 países, que viajam nos meios de transporte mais adequados a cada caso.

A segurança das instalações de Lodi não passa despercebida ao visitante.
Lodi é uma zona de produção de vinhos onde existem quase 100 adegas, na sua maioria de pequena dimensão, operadas por famílias locais.
Foi nesta cidade de Lodi que a empresa Trinchero construiu a sua adega há 10 anos e, mais recentemente, há três, o Centro de Produção, Engarrafamento e Distribuição, num investimento total de 350 milhões de dólares. Aqui trabalham 300 colaboradores. A produção tem capacidade instalada para esmagar 200 mil toneladas de uvas por ano. A distribuição atualmente vende 95.000 caixas de vinho por dia, num total de 23 milhões por ano. 80% dos vinhos são aqui produzidos e engarrafados. Os vinhos engarrafados noutras áreas são armazenados e vendidos a partir do Centro de Distribuição, em Lodi, instalado em cerca de 65.000 m2 (700,000 pés quadrados). É a 4.ª maior companhia de vinhos dos Estados Unidos. Tem crescido pela qualidade dos seus vinhos. Algumas das marcas de vinho mais populares são: Trinchero, Menage a Trois, Joel Gott, Napa Cellars, Folie a Deux, Sutter Home, e muitas outras.

O Centro de Distribuição é a instalação tecnicamente mais avançada do mundo na indústria do vinho. Esta instalação é 90% automatizada, onde têm 72 robots que são guiados de uma forma autónoma para moverem os produtos dentro e para fora do armazém. Suporta 72.000 paletes de vinho num sistema automático que tem um tamanho de 96 paletes de largura, 84 de comprimento e 9 de altura, num total de 4.200.000 caixas de vinho. Mais de 120 camiões, por dia, entram neste lugar. Quando um camião chega para ser carregado é atendido na secção de faturação e, ao emitir a fatura em computador, dá ordem ao sistema robotizado que prepara a encomenda, em média de 23 minutos, e é carregada por um empilhador operado por um trabalhador. Cada camião carrega, em média, 20 paletes com caixas de vinho.

É com orgulho que se vê um português “aos comandos” de tão importante secção.

Califórnia, 28 de setembro de 2018

 

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