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EDITORIAL

SÁBADO 22 DE JULHO DE 2107  

Podemos ir de férias descansados?

Por Paulo Tavares

A foto que ilustra o trabalho de análise de Susete Francisco neste DN, sobre o estado de saúde da geringonça antes das férias, diz quase tudo. Tem Marcelo com ar relativamente descontraído, apertando a mão a Carlos César - Presidente e líder parlamentar do PS; António Costa a deitar um olhar desconfiado a um homem fardado; Jerónimo de Sousa com rugas marcadas e expressão de sofrimento; e o olhar desfocado de Catarina Martins, só meia face visível como numa selfie. É feliz, a imagem. Não se trata de uma selfie da líder do BE, mas do trabalho do fotojornalista Pedro Rocha, da Global Imagens. E está ali, num momento decisivo, o quadro político com que devemos preocupar-nos, ou não, nestes meses.

Partimos agora de férias, nesta semana (no meu caso) ou mais adiante. Sabemos que há no horizonte eleições autárquicas e um Orçamento do Estado para compor. Podemos ir de férias descansados ou há sinais de crise política? Por mim, sigo viagem com a família em perfeita tranquilidade. Apesar de alguns sinais de tensão, uma crise não interessa verdadeiramente a ninguém. Não interessa ao Presidente, não dá jeito ao governo e não agrada sequer à oposição, por muito que PSD e CDS carreguem nas críticas. Basta olhar para as sondagens.

O governo entra mais frágil em agosto? Sem dúvida. Casos como os incêndios - 64 mortos em Pedrógão -, o assalto a Tancos, a minirremodelação forçada, causam mossa. São quanto baste para fazer tremer o apoio que o governo mantém na esquerda parlamentar? Não acredito. Estando em ano eleitoral, a menos de três meses das eleições, é natural que BE e PCP testem o equilíbrio precário dos acordos que assinaram com o PS. A chave da equação continua nas mãos de Centeno e Costa. São eles que podem abrir ou fechar a torneira dos ganhos de causa para os parceiros de aventura. Até ver, o jogo tem sido dominado pelas cautelas orçamentais do ministro das Finanças - respeitador dos limites impostos por Bruxelas - com perdas relativamente evidentes de qualidade em alguns serviços públicos. É natural, o ajustamento tem sido feito sobretudo à custa do investimento público.

Justificam-se assim as rugas de Jerónimo e o meio rosto de Catarina, como quem não quer aparecer verdadeiramente na fotografia. Sabem que esta não é a governação deles, mas também que a alternativa - abrir caminho a um governo da direita - será muito mais pesada para as suas bases. Sim, podemos ir de férias descansados.

 

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